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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Mensagem de ano novo aos paroquianos

Queridos filhos espirituais,

Mais um ano! Acabou 2014. Fizemos tantos planos, corremos em busca de tantas metas e tantas foram as realizações. Um breve olhar para os dias decorridos e vemos brilhar muitas atitudes que realmente fizeram a diferença em nossa comunidade paroquial. Olho bem para essa nossa história juntos, uma história de quatro anos e vejo as maravilhas que o Senhor tem feito em nós. É! Já são quatro anos... Passou tão rápido e tem sido tão intenso que ao mesmo tempo em que lamento ser tão pouco, agradeço por tanto que vivemos juntos. Sinto que meu tempo entre vocês já está acabando!

2014 foi um ano difícil e, não obstante as dificuldades, frutuoso! Deus já o havia prometido “E isso te servirá de sinal: no primeiro ano se comerás os restolhos; o ano que vem, aquilo que nascer sozinho; no terceiro ano, porém, semeareis e colhereis; plantareis vinhas e comereis os seus frutos. O resto, que subsistir da casa de Judá, lançará novas raízes no solo e produzirá frutos no alto.” (Is 37,30-31).
Quantas ausências sentimos este ano. Pessoas que nos deixaram até nosso encontro final no céu e pessoas que nos deixaram por um tempo e a quem esperamos saudosamente que regressem com sua alegria ao nosso convívio. Deus seja bendito por tudo!

No ano de 2014 nos dispusemos a encontrar na oração a nossa vocação e escutamos um chamado de amor respondendo também a Deus como amor. Como não responder com amor o que com amor foi proposto?

 Ao término deste ano podemos dizer com o coração cheio de alegria que nossa vocação está em Viver na simplicidade e na pequenez as grandezas das promessas de Deus! Deus sempre colocou almas grandes em corações que, diante d’Ele, se sentiam pequenos. É de nos assustar como o mundo perde tempo tentando ser grande quando a maior grandeza é ter um coração humilde! Quantos não são os apegos de nossos corações? Vontades de satisfazer os desejos mundanos que gritam em nós; Não nos abrirmos à ação do Espírito Santo que nos impulsiona a amar sem medidas; fazermo-nos mais importantes que os outros quando Deus fez da humanidade algo mais importante que sua própria vida doada por nós...

Aliás, Deus sempre está disposto para resgatar-nos do pecado, mesmo quando não o queremos. Faz isso por amor e o amor não espera passivamente, espera ativamente. Ele nos amou primeiro e veio ao nosso encontro; Ele nos questiona na fé e nos estimula à conversão Ele espera nossa resposta de amor!

E para o próximo ano? Que metas teremos depois de ter descoberto na simplicidade e na pequenez a grandeza de nossa vocação paroquial? Quem é capaz de abrir mão de si mesmo será capaz de ir ao encontro das promessas de Deus, por isso deveremos nos colocar sob a proteção da Virgem Maria. Que melhor exemplo nossos olhos poderão mirar senão o contemplar e imitar os traços de nossa padroeira?

Nossa Senhora não se sentiu grande e se fez simples serva do Senhor e exatamente assim abria espaço em sua vida para deixar vir ao mundo o Salvador. Também nós seguiremos estes passos de simplicidade e pequenez. Vemos neste ato uma tríplice dimensão que os servirá de projeto pastoral para 2015: Acolhida, Formação e Missão. Do mesmo modo que a Virgem Maria acolheu o convite de Deus através do Anjo Gabriel e deixou que o Espírito Santo gerasse nela o Cristo, nós nos deixaremos guiar pelo mesmo Espírito Santo para formar em nós o rosto do Cristo e aprender da Igreja a contemplar o rosto de Cristo em nós.

Acolhendo no Amor de Cristo o projeto de Encarnação do Verbo em nossa vida, transbordaremos em ação o verbo de Deus que é AMAR, enquanto vivenciaremos a abertura de portas de nossa Igreja Paroquial, de nossas comunidades e de nossas casas e corações sendo uma verdadeira Comunidade de Comunidades. É deste modo que a acolhida será uma realidade em nossa paróquia.

Aqueles que abrem seus corações não podem fazê-lo de outro modo se não indo ao encontro dos outros, do mundo, não mais munidos de nossos egoísmos, mas do amor de Cristo que nos une. Nossa Missão será espalhar o Amor de Cristo (entre nossos parentes, amigos e companheiros) tentando alcançar a todas as realidades (família, escola, trabalho e o mundo) com um testemunho digno do nome Cristão.

Assim, para o próximo ano teremos como lema pastoral: “Pequenez e Simplicidade para acolher, formar, e testemunhar Cristo em Nós!”


Feliz 2015!

domingo, 2 de novembro de 2014

Pra começo de conversa

Pra começo de conversa quero estabelecer alguns parâmetros por saber que logo irão encher minha paciência (que não é lá grandes coisas) com uma enxurrada de posts agressivos. Então, para que se saiba exatamente o que estou discutindo e os limites deste debate, quero deixar claro que não é por que sou padre que não posso ou não deva falar de política. Ao contrário, sinto-me na obrigação de tornar claros alguns pontos de vista a respeito de posições políticas. Essa história de que padre não pode falar de política é pura mordaça. Se eu estivesse aqui defendendo o PT, a esquerda caviar ou os socialistas de butique, teria uma legião de idiotas úteis me ovacionando. Mas como esse cenário político é vergonhoso e minha opinião vai na contramão dessa gente, ficam inventando isso de: “padre não pode falar”.

Segunda coisa: não me venham com esse discurso de “pobre”. Sei bem diferenciar um pobre de um preguiçoso e malandro. Sei que tem gente que recebe bolsa família e gasta com cachaça e sei bem que tem gente que realmente necessita do benefício. Sei que tem muitas (não poucas, muitas) pessoas se aproveitando dos projetos sociais para não trabalhar. Então, levar o discurso para o campo de “ele está discriminando o pobre” é simplesmente um argumento emocional para encobrir fatos. Aliás, quando agente quer ganhar um debate sem ter razão ou argumentos, é só lançar mão da frase “você está sendo preconceituoso” que dá pra albergar tudo debaixo dessa falsidade. Então deixem de ser infantis e vamos discutir ideias sérias e não essa bobagem de “é preconceito”. Então aqui não vai nenhum preconceito ao pobre, ao negro, ao nordestino e a quem quer que seja. Somos iguais em dignidade, não obstante nossas diferenças. Trata-se de desonestidade tentar vencer um debate com essas posições que não levam a lugar nenhum.

Por último, querer estabelecer que o pobre agora poder comprar e antes não podia é no mínimo ridículo pelo simples fato de que esse “crédito” só gerou uma sensação de mobilidade, uma vez que na realidade o pobre sempre pagou mais pelo produto comprado em 146 vezes em quaisquer dessas lojas, quando o justo seria que nossa carga tributária fosse menor aumentando o valor aquisitivo do salário ou que ao menos o serviço recebido fosse proporcional ao que se paga. E ainda menos, se levarmos em conta que os pobres nunca estiveram tão endividados e inadimplentes como hoje.

Dados esses pontos, passemos a algumas considerações.

Desde domingo passado estou observando, refletindo e indagando alguns pontos das eleições 2014. A princípio não entendi o que aconteceu para o PT ganhar essas eleições; por qual motivo a presidente eleita se arvorou o título de preferência nacional; o que levou os brasileiros a escolherem o que claramente não está bom e, por fim, sou levado a considerar a clara divisão patente no Brasil. Quero considerar esses temas de modo mais detalhado agora.

Em meio a escândalos de corrupção, de mensalões e de petrolões, em meio a arrazoados estranhos como a indicação de um curso no PRONATEC a uma economista desempregada e de milhares de recursos à baixaria, assistimos, debate após debate, a presidente-candidata ser trucidada de vários pontos de vista (que vão do português ao conhecimento parco das casas legislativas). Às vezes dava nervoso ver como ela se desempenhava e acho que ela também sentiu isso com sua “oscilação” de pressão arterial (SIC). Ficaram claras as propostas de confisco de bens, de diminuição da carga horária escolar, da reforma política por meio de plebiscito (o que é inconstitucional) e da intenção de regulamentação (ou cerceamento) da mídia.

À bem da verdade, depois dos ovos fritos, o que sobrou foi uma enorme rejeição à presidente. Não adianta dizer que ela ganhou as eleições por que a verdade não é bem essa. Se contarmos bem, a maioria dos brasileiros a rejeitou, se somados os votos do seu opositor aos votos brancos e nulos. Não! Dilma perdeu, muito embora tenha levado, mas é claro que vão me dizer que o que importa é que ela ganhou... Tudo bem!

Conversei com pessoas de várias classes sociais e por diversos meios. As mais simples tinham medo de perder benefícios, outras tinham ideologicamente uma opinião e algumas outras viviam uma espécie de anestesia política.

Alguém me disse que tinha direito a uma faculdade pública! Sim – pasmem – direito a uma faculdade pública! Quando fui checar, o fautor de direitos estuda em colégio particular. Achei interessante o altruísmo de alguém que advogou para si o direito de uma faculdade pública, mas não advogou o direito de termos um ensino fundamental público de qualidade (lembram-se da proposta de diminuir o currículo mínimo?).

Achei interessante a presidente em seu discurso de vitória, que ouvi com certa repulsa – mas concordo com quem disser que o sentimento advinha da decepção de vê-la ganhando – argumentar que o país não está dividido se durante a campanha todo o discurso girou entorno da divisão entre ricos e pobres, “nós” e “eles”. Luta de classes clara e explícita! Agora temos que engolir um discurso de que a presidente quer diálogo. Ora, se o Brasil não está dividido, com quem vamos dialogar? Há uma contradição em termos: Ou se está dividido e por isso precisamos de diálogo entre as partes ou não se está dividido e então faremos um monólogo.

Para além dessas questões ainda temos a velha política bolivariana, a flagrante engenharia comunista se instalando, fraudes em urnas eletrônicas que nunca serão investigadas (lembro que Dias Toffoli, que foi advogado do PT, é o presidente do TSE) e pedidos de impeachment, que, aliás, acho muito pouco provável que se concretize.
Bolsas famílias, CSF, PROUNI, ENEM (que gerou inumeráveis controvérsias, diga-se de passagem) à parte, ficou uma pulga atrás da orelha... É inegável que Dilma recebeu 51,63% dos votos válidos. O que levou tanta gente às urnas para esse (em minha opinião) descalabro? E o pior, como puderam tantos católicos anuírem com o governo tão comunista quanto o que temos?

Na sexta feira, rezando a liturgia da palavra, mais precisamente a carta de São Paulo aos Filipenses, no capítulo primeiro, vi o motivo claro: “E isto eu peço a Deus: que o vosso amor cresça sempre mais, em todo o conhecimento e experiência, para discernirdes o que é o melhor” (Fil 1,9-10). Essa passagem me mostrou uma grande luz. Falta amor para que possamos, com conhecimento e experiência, discernir o que é melhor.

Explico: se levarmos em conta que o amor, na perspectiva cristã é um dar-se, uma vez que “prova de amor maior não há que doar a vida pelo amigo (Jo 15, 13) e já que não temos uma vida, senão que somos uma vida e que dar significa abrir mão em favor de outro, podemos concluir com razão que o contrário de amor (dar) não é o ódio (e este é só uma consequência da falta de amor), mas é reter para si. Quando vemos uma criança que retém algo para si, dizemos logo que ela é Egoísta. Deste modo, o contrário de “AMOR” é “EGOÍSMO”. Esse é o ponto. Fomos egoístas, não amamos na verdade e por isso fomos levados à falta de conhecimento e experiência para discernir.

É claro que estamos caminhando para um governo ditatorial, mas as pessoas pensaram tanto em não perder seus "benefícios" que optaram por perder o país num exemplo bem clássico de egoísmo. Coisa do diabo! (Como bem a presidente disse, nas eleições, o PT faria o DIABO para ganhar – e fez mesmo... ainda teve quem ficasse bravo ou decepcionado comigo!).

As consequências do pós-eleições são claríssimas: A bolsa em baixa, o dólar em alta, a Petrobrás derretendo, o COPOM elevando juros (11,25% ao ano), investidores estrangeiros sendo desaconselhados a aplicar recursos no Brasil... E a população achando que o governo vai conseguir manter os “benefícios”. Não pensaram bem agora vamos penar bem!

Estou sem muita esperança ou expectativa de melhora! Acho que vamos rolar mais quatro anos de escadas a baixo, e nos tornaremos uma Venezuela (aliás, o discurso dos aliados do Foro de São Paulo foi, digamos que... animadinho). Sinto que as pessoas não saibam escolher e isso reforça a minha tese de que o Brasil (e o brasileiro) não foi talhado para a República.

Bom, quanto à separação entre o Brasil do Norte e o Brasil do Sul, isso já está claro há muito tempo. Não estou falando de votos, pobreza ou riqueza e nem de bolsa família. Estou falando que desde há muito o Brasil lá de cima (cheio de suas riquezas e com seus desafios) é diametralmente oposto ao Brasil daqui de baixo (cheio de suas riquezas e com seus desafios). Se separar de vez é a saída, não sei (às vezes sou tentado a achar que é!). Mas que as diferenças são claras, isso são!

Em fim, penso ter feito uma reflexão madura sobre o panorama nacional, o que não significa que é uma última palavra (absolutamente não é), senão que fruto de uma observação. Espero com essa reflexão leva-los a pensar sobre nosso egoísmo (e inveja) a fim de superarmos os obstáculos que nos levam a escolher sempre o pior.


Post Scriptum: Se você não gostou do texto, desculpe, mas é minha opinião! 

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Opinião: Eleição 2014


Já tenho a intenção de escrever umas opiniões sobre os últimos fatos da política de nosso país há um tempo, entretanto este mesmo tempo não me sobra nas tarefas do dia. Encontro agora ocasião para expor brevemente algumas reflexões. Antes que alguns se arvorem a dizer que não deve um sacerdote tocar no ponto de política, quero que se perguntem sobre os motivos desta descabida opinião (creio que se eu defendesse a tua posição, você certamente me apoiaria, deste modo esse argumento tenta inutilmente me constranger a não expressar minha opinião diferente da tua).
Vou tentar ser o mais claro e sistemático o possível, mas convenhamos que a situação é complexa neste pleito 2014 e mereceria uma análise muito mais pormenorizada e completa.

1). As circunstâncias das Eleições 2014

Já tenho dito e continuo repetindo que o Brasil é um país que não tem tradição republicana. Passamos por três repúblicas e não conseguimos atingir a maturidade exatamente por que nosso povo não é tecido com estes fios que são tão presentes nos norte americanos e em alguns europeus, por exemplo. Nossas fibras interiores são de força e raça: nós nos uniríamos facilmente entorno de um ideal nobre que nos tocasse a emoção. São exemplares as grandes mobilizações por ocasiões das grandes catástrofes naturais ocorridas no país por revelarem os atos heroicos dos brasileiros que são capazes de se unirem em auxílio aos seus compatriotas em quaisquer estados da União.
A tragédia nas serras do Rio de Janeiro, as catástrofes no sul do país, o incidente na discoteca e tantos outros exemplos poderiam ser trazidos para exemplificar esse traço tão forte e marcante no tecido interior dos brasileiros.
Entretanto, não é nosso ponto forte uma reflexão criteriosa e sistemática sobre governo e estado em nível popular. É uma deficiência que é robustecida pelas lacunas em nossos currículos escolares, mas que não advém somente dos bancos acadêmicos. Nós não temos essa tradição! A maior parte da população é sublevada por “taumaturgos sociais” que, no mais das vezes, são mal intencionados, movidos pela vontade de domínio e por lucro pessoal – sem levar em conta o fato da maldade quase subliminar presentes nas intenções dos signatários do foro de São Paulo.
À bem da verdade, os comunistas perceberam isso primeiro que os republicanos e os monarquistas e se utilizaram disso de modo velado nas manifestações populares ocorridas no nosso passado próximo. E não adianta dizer que foram manifestações populares espontâneas já que ficaram patentes as mãos por trás das bandeiras empunhadas na ocasião. Uma vez aceso o estopim emocional do brasileiro médio (vinte centavos da passagem ou o preço do pão são motivos emocionais suficientes para levar a uma pretensa “revolução”) facilmente se leva a instabilidade o tecido social do país, cuja memória histórica é acometida pela doença de Alzheimer.
O emaranhado é, portanto, de um lado a mensagem quase subliminar do foro, o elemento emocional do povo e a necessidade de orientação pela ausência de suficiente reflexão política, ética e social do brasileiro médio.
Alguém poderia perguntar pela polarização PT/PSDB que sempre nos remete ao que se chama de esquerda e direita. Bom, um tiro só pra resolver a questão: Não existe direita no Brasil! No máximo um vento de direita (expresso por uns Bolsonaros da vida) contra um tufão de esquerda representado pela ninhada de partidos advindos de remanescentes da ditadura. De direita mesmo, ninguém!
Este panorama, no que pese minha opinião, é o resumo destes últimos anos de história no Brasil de (quase) todos.

2). Os candidatos

De novo fomos reféns da escolha entre o menos pior: Dilma veio com um discurso de mudanças mostrando a esquizofrenia de seu governo. É muito difícil convencer de que o governo vai mudar a situação do país se o governo é a situação. Desculpe, presidente, não cola! Se era pra mudar, mudasse antes. Aécio Neves veio com o discurso de que a competência é apanágio de sua equipe. Desculpe, senhor candidato, me pareceu um bocado arrogante já que na propaganda tudo é possível. Os nanicos eram risíveis. Só pra destacar: Luciana Genro se mostrou uma revolucionária de butique que redige seus discursos no seu note Apple, no melhor estilo Lacoste/Fidel e esconde as doações atrás do seu cursinho que tem mais de político do que de social; Levi Fidélix – mesmo sendo católico – mostrou-se um desvairado... Bom não quero perder mais tempo com isso. Façam suas próprias avaliações sobre a comédia dos candidatos.
No meio do caminho tinha um avião (estranhamente) caindo e vitimando Eduardo Campos e colocando em destaque Marina. As pesquisas recolheram sua presença com altos picos de porcentagens. Marina era presidente do Brasil, mas calada era uma ótima presidente! Quando abriu a boca, percebeu-se que a fragilidade era seu ponto forte e que seu plano de governo era tão incompreensível quanto seus discursos.

3). As pesquisas

Nunca acreditei em pesquisas. Em minha opinião é volante para manobrar a vontade geral de um povo que não tem hábito de críticas (já que condições nós temos, mas de que adiante ter condições não exercidas?). Dilma Vs. Marina dominou o cenário das pesquisas, mas não o do resultado.

4). O resultado

Um ponto interessante foi como fica provado que nosso povo não utiliza aquela tão necessária capacidade de crítica social para exercer o direito de voto. No Rio de Janeiro, por exemplo, a mesma população consegue eleger para a Câmara Federal o Bolsonaro e para a Estadual o Freixo. Transtorno bipolar político? Vai saber... Nós não nascemos para ser republicanos, definitivamente.
Surpreendeu a alguém a “virada” de Aécio Neves? Só aos que não ouviram as pesquisas espontâneas ocorridas em vários setores da sociedade. Nas redes, nas esquinas em outros ambientes a porcentagem de Dilma e Aécio eram diametralmente opostas às opiniões colhidas (SIC) pelos institutos de pesquisa que apontavam um possível Dilma e Marina. Não surpreendeu.
No Rio de Janeiro tivemos um resultado curioso, nem Garotinho nem Tarcísio, mas Pezão e Crivella. Aqui sim tivemos surpresa, já que o clima de “já ganhou” tomou conta dos garotinhos do Garotinho. Até o seu site na web acreditou que estava no segundo turno. Excesso de confiança nunca fez bem a ninguém. No Rio de Janeiro estamos entre o que temos e o Edir Macedo, a mão que segura as cordas do fantoche Crivella.

5). (Mais) Escândalos Petistas

Um país sério teria apurado rapidamente a denúncia do uso indevido dos correios na campanha da presidente Dilma. Mas isso não aconteceu apesar dos indícios. Ponto negativo para o balcão de negócios brasileiro chamado república. Quando isso será apurado? Sabe-se lá se será apurado. As urnas problemáticas também voltaram a ser tema nos plantões jornalístico. Mas é de se desconfiar quando alguma coisa no Brasil é apresentada como confiável, não é? Quando a esmola é grande, o santo desconfia.
Biometrias e filas longas à parte, a sensação do brasileiro quanto às urnas eletrônicas é de desconfiança.

6). Segundo turno

E de novo roda a roda da vida nos trazendo para o igual: estamos outra vez escolhendo entre os menos piores (meu computador, neste exato momento grifou de verde a expressão “menos pior” e me sugeriu que escrevesse “melhor”, mas, em consciência, não consigo!).
Brincadeira de porcos: neste segundo turno vemos ambos os lados jogando lama um no outro – e lama é o que mais se tem para jogar neste jogo histórico entre PT e PSDB. REPITO: Dos dois lados. Não será esse meu critério de escolha por termos um empate técnico.
O brasileiro, via de regra, reflete economicamente na hora de votar, mas se esquece de que nem só de pão vive o homem. A economia é um fator da reflexão, mas não toda a reflexão. O PT quer vender o país das maravilhas econômicas tentando esconder o legado de FHC e esquece-se que todo fato histórico vem imbricado em outro. Ouso dizer que FHC foi o precursor da era lulista enquanto lançava as bases para essa política assistencialista que transforma pobreza em voto: farinha do mesmo saco.
As manchetes de inflação, dívida e outros escândalos são trazidos para as redes numa espécie de terrorismo político do lado do PT enquanto Aécio Neves tenta vender a imagem de bom moço, pero no mucho. Parece óbvio, mas o óbvio é facilmente esquecido: Não podemos negar que o presente é feito de passados: PSDB e PT fizeram o passado recente de nosso país. Depois dos ovos fritos, a gordura saturada de um sistema que falhou em suas tentativas de fazer um país melhor. (Arriscar-me-ia a dizer que até a ditadura, com mais dificuldades e menos recursos, trouxe mais benefícios para o Brasil em termos de infraestrutura que os anos desta nossa república; que o porto construído pelo governo do PT seria ótimo se ele não tivesse sido construído no país errado e que, neste ponto, pelo menos o Aécio construiu (seu) aeroporto mineiro em solo brasileiro).
Os partidos parecem querer nos fazer crer que, no fundo, a disputa está entre 34º e 35º presidente, mas é fácil perceber que o acento recai, não entre eles e nem tampouco entre Dilma e Aécio, mas na escolha da manutenção de um país que primou pelo capital em detrimento dos valores (sim, os comunistas muitas vezes são mais capitalistas que os próprios capitalistas, dado o materialismo invejoso que apregoam) enquanto passava por baixo da roleta os mais atrozes planos de infiltração comunista.
Enfim, declaro meu voto: Votarei em Aécio Neves, não pela sua pretensa competência ou por sua honestidade (?), mas por que não quero ver meu país comunista levado ao patamar da Venezuela, já que o governo atual nos sugeriu comer ovos no almoço. A política petista se mostrou assistencialista e imoral e, por isso, inaceitável. O processo comunista precisa ser parado e defenestrado este partido que ajudou a criar no país uma massa ociosa de fácil manobra.
Definitivamente quero ver meu país livre da ameaça comunista e rebuscando um caminho sob a égide dos valores humanos sobrepondo (e não renegando) os valores sociais e econômicos, já que o Estado existe em função do cidadão e não ao contrário.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

NOTA DE REPÚDIO

NOTA DE REPÚDIO

“Os Cristãos... amam a todos e são perseguidos por todos; são desconhecidos e, apesar disso, condenados; são mortos e, deste modo, lhes é dada a vida; são pobres e enriquecem a muitos; carecem de tudo e tem abundância de tudo; são desprezados e, no desprezo, tornam-se glorificados; são amaldiçoados e, depois, proclamados justos; são injuriados, e bendizem; são maltratados, e honram; fazem o bem, e são punidos como malfeitores; são condenados, e se alegram como se recebessem a vida”.
(Carta à Diogneto, Século I).

      A intolerância, o vandalismo e as atitudes de violência, mesmo que tidas comumente como atitudes vergonhosas, são práticas muitas vezes recorrentes principalmente contra cristãos católicos no mundo de hoje.
      As pichações, como insultos ao sentimento religioso e a religiosidade, que se expressaram no ato de depredação da Matriz Histórica de Nossa Senhora da Conceição, no Centro de Rio Bonito, denotam não só a falta de respeito pelo senso religioso, mas também o vilipêndio da compreensão histórico-cultural da Igreja Católica em Rio Bonito, no Brasil e no mundo.
      A bem da verdade, vemos por parte de uns poucos maldosos a tentativa de denegrir o grande patrimônio humanístico legado pela Igreja Católica – presente no Brasil desde a chegada dos colonizadores e, em Rio Bonito, desde 1755, quando da construção da Capela Madre de Deus. Tanto o Brasil quanto a Cidade de Rio Bonito foram construídos sob os auspícios da Igreja Católica que sempre esteve presente e atuante na construção não só da nação e da cidade, mas também de cada pessoa e de todas as pessoas de quem se fez tutora não só dos direitos, mas também da dignidade.
      Configura-se como um retrocesso à barbárie os fatos que nos surpreenderam no final de semana próximo passado e não podem ser encarados como simples atos de vandalismo, mas como uma ofensa grave ao direito de liberdade de culto e ao sentimento religioso de nossa cidade. Tais atos merecem veementes repúdios.
      Nós da comunidade de Nossa Senhora da Conceição de Boa Esperança expressamos nossa repulsa a quaisquer atos de vandalismo e intolerância religiosa contra todas e quaisquer religiões, bem como extremo repúdio aos atos que profanaram a Matriz Histórica da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição no Centro de Rio Bonito.
      Expressamos igualmente nossos vívidos sentimentos de apoio ao Revmo. Pe. Eduardo Braga e Silva, bem como a toda Comunidade Paroquial de Nossa Senhora da Conceição do Centro de Rio Bonito, lembrando aquelas linhas da famosa e primitiva Carta à Diogneto, onde um cristão apresentava a um romano os motivos pelos quais cremos em Cristo, apesar das perseguições:
       
“Em poucas palavras, assim como a alma está no corpo, assim estão os cristãos no mundo. A alma está espalhada por todas as partes do corpo, e os cristãos estão em todas as partes do mundo. A alma habita no corpo, mas não procede do corpo; os cristãos habitam no mundo, mas não são do mundo. A alma invisível está contida num corpo visível; os cristãos são vistos no mundo, mas sua religião é invisível. A carne odeia e combate a alma, embora não tenha recebido nenhuma ofensa dela, porque esta a impede de gozar dos prazeres; embora não tenha recebido injustiça dos cristãos, o mundo os odeia, porque estes se opõem aos prazeres. A alma ama a carne e os membros que a odeiam; também os cristãos amam aqueles que os odeiam. A alma está contida no corpo, mas é ela que sustenta o corpo; também os cristãos estão no mundo como numa prisão, mas são eles que sustentam o mundo. A alma imortal habita em uma tenda mortal; também os cristãos habitam como estrangeiros em moradas que se corrompem, esperando a incorruptibilidade nos céus. Maltratada em comidas e bebidas, a alma torna-se melhor; também os cristãos, maltratados, a cada dia mais se multiplicam. Tal é o posto que Deus lhes determinou, e não lhes é lícito dele desertar”.

Em Cristo,

Pe. Fabiano de Carvalho Silva
Pároco de Nossa Senhora da Conceição – Boa Esperança

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Verdadeiros Ícones de Cristo, Portadores da Vitória

Sábado passado, 12 de abril, tivemos em nossa paróquia um recolhimento em preparação para a Semana Santa. Gostaria de partilhar com os amigos as reflexões que fizemos juntos. Nos ciceroneou neste caminho de reflexão foi Santa Verônica, uma personagem interessante na Via-Sacra. Espero que gostem e boa Semana Santa.

Parte 1: http://www.4shared.com/music/IQtAwjkpba/retiro_paroquial_semana_santa_.html?

Parte 2: http://www.4shared.com/music/EANxtmx-ba/Retiro_paroquial_Semana_Santa_.html?

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Uma pequena história:

Uma pequena história:

Perto da igreja morava uma senhora cujo marido havia morrido e que passava, com seus três filhos, por grande dificuldade financeira. A vida não estava fácil para a senhora. À bem da verdade, a vida é difícil para muitas pessoas que necessitam do auxílio de outras. Aquela senhora, de modo especial, não conseguia um emprego, pois tinha o cuidado dos filhos pequenos e, o máximo que ela conseguia eram faxinas esporádicas em casas de família no horário em que os filhos estavam na escola.
Uma dos adolescentes do grupo da paróquia percebeu a dificuldade daquela senhora. De fato era uma senhora conhecida do bairro, daquelas batalhadoras que faz o que pode por seus filhos muitas vezes deixando faltar para si, como é próprio das mães que se abnegam em função de seus filhos. A adolescente sentiu-se condoída com a situação e comentou entre o grupinho de amigos que frequentavam à paróquia.
Os animadores do grupo viram uma ótima oportunidade para falar da partilha dos bens e da solidariedade. Usando o texto de Mt 25, 32- 46, mostram às crianças que todas as vezes que dermos de comer a um dos irmãos mais pequeninos de Jesus, é a ele mesmo que o fazemos. Para estimular a dinâmica da partilha dos bens, fizeram uma atividade em que cada um dos adolescentes deveria arrecadar com seus familiares e amigos uma determinada quantia em dinheiro para ajudar aquela senhora, mas deveria ser feito em sigilo para ser uma surpresa.
Os adolescentes se empolgaram, saíram com listas nas redondezas do bairro, pedindo ajuda e superaram as suas expectativas. Junto com os organizadores, foram ao mercado com uma lista de compras e fizeram uma grande compra que seria suficiente para dois meses para aquela família.
Uma das meninas, ao passar por entre as prateleiras, viu num setor de jardinagem do mercado uma linda orquídea. Foi até os animadores e sugeriu que comprassem aquela orquídea de presente para a viúva. Eles ficaram um pouco sem jeito de dizer não, mas também não quiseram assentir com a compra porque lhes parecia um pouco inútil já que os mantimentos eram a prioridade. Então logo se juntaram os adolescentes ali, no meio do mercado, para uma “reunião extraoficial”.
Com o modo peculiar de os adolescentes resolverem as coisas, muitos foram os argumentos tanto em favor quanto contra. As pessoas que observavam aquele monte de adolescentes no meio do mercado discutindo a compra da orquídea, a princípio olharam assustadas, mas depois acabaram se envolvendo também no debate e até o gerente do mercado veio saber o que estava acontecendo.
Em fim, depois de uns longos minutos de debate, o gerente do mercado resolveu fazer uma gentileza e deu como cortesia a tão discutida orquídea para que a viúva fosse presenteada. E os adolescentes saíram felizes com o debate, com as compras e com a orquídea.
Preparam tudo, colocaram um celofane e um laço azul no vaso da orquídea e escreveram um cartão que foi assinado por todos os membros do grupo. No dia marcado se encontraram na Igreja e, de surpresa, foram à casa da viúva. Os adolescentes estavam exaltados quando chamaram no portão da casa e a viúva, meio desconfiada olhou pela fresta da janela e só veio até a porta porque reconheceu alguns rostos entre os adolescentes.
Eles entraram, rezaram e contaram o que tinham feito para conseguir aqueles alimentos. A viúva e as crianças ficaram muito contentes com a variedade de gêneros que os adolescentes haviam comprado para eles.
Foi quando um dos animadores pediu que a adolescente entrasse com a orquídea que havia insistido em trazer. E quando a viúva viu a flor em seu vaso enfeitado com celofane e fitas azuis o ar da sala tornou-se outro e todos os adolescentes estavam com os olhos vidrados no rosto enrugado dos cansaços pela vida estafantemente sofrida da viúva, viram aqueles olhos mareados finalmente deixarem cair as lágrimas que se juntaram desde a chegada daquele grupo.

Todos estavam chorando quando o silêncio foi rompido por um rouco obrigado, embargado entre as lágrimas derramadas pela viúva que continuou dizendo: “a ultima vez que recebi flores de presente foi num aniversário de casamento quando meu marido fez uma bela surpresa ao chegar em casa do trabalho”. E concluiu dizendo: “Obrigado, hoje vocês foram verdadeiros amigos para mim!”.

sábado, 1 de março de 2014

Por que uma Nova Catedral?


Por que uma Nova Catedral?

Já temos visto nas redes sociais, nas paróquias e, de modo particular, entre as lideranças católicas, as propagandas da campanha pela Nova Catedral da Arquidiocese de Niterói. Como tudo na vida, há quem se coloque contra e quem se coloque a favor e variadíssimos são os argumentos tanto de uns quanto de outros.

Falam os que não aderiram plenamente à campanha, dos motivos pelos quais não se deve “onerar” as paróquias, principalmente as menores e as que se encontram com obras e construções em andamento. Entabulam que há bem pouco houve uma obra na Catedral de São João Batista e que ela se encontra em digno estado, que seria desnecessário um esforço arquidiocesano para a construção de um templo quando temos muitas frentes mais importantes, e por fim que não se deveria investir num templo projetado por um pagão, haja vista que a obra foi projetada por Oscar Niemeyer.

Não sei se causa incômodo a assinatura do projeto, entretanto, reconhece-se a notoriedade e a genialidade do maior expoente em arquitetura do país, reconhecido mundialmente. A opção religiosa do arquiteto não desmereceu em nada a simbologia católica. Há bem da verdade, muitas vezes o projeto foi refeito para atender melhor as necessidades do que deveria ser uma catedral na plena acepção da palavra.

Fato é que temos muitas frentes de trabalho importantes para nossa Arquidiocese e poderíamos enumerar as ações frente à explosão demográfica na Região Rural de nossa Arquidiocese em decorrência do Polo Petroquímico; as necessidades de organização e unidade das paróquias e vicariatos ao redor da Arquidiocese; a ampliação de diversas igrejas que já não comportam mais o número de fiéis; investimento na formação dos leigos principalmente frente aos desafios da iniciação à vida cristã e até mesmo, por que não, um local com infraestrutura suficiente para nossos eventos Arquidiocesanos e, por fim, a implementação de nosso plano pastoral que ainda dá seus primeiros passos.

Não obstante todas essas necessidades, e ainda outras a serem elencadas, nada caberia mais honrosamente como resposta que a construção da Nova Catedral, uma vez que, sendo a Catedral sinal de unidade da Igreja particular de Niterói, seja síntese dos anseios de respostas para aquelas questões.

No que pese o fato, nossa Arquidiocese, de proporções magnificas, bem mereceria um templo que ao mesmo tempo expressasse o louvor a Deus que se eleva em todas e cada uma das paróquias que a compõem e a grandeza de nosso povo fiel que sempre respondeu maciçamente às convocações dirigidas. Não parece que só isso seria um bom motivo?

Não só isso, o sinal de comunhão com os ideais arquidiocesanos se fazem sentir de um canto ao outro de nossa arquidiocese. Nunca se fez tão necessária a expressão de comunhão e unidade. Em que mais poderíamos concretizar tais ideais senão na construção de uma Catedral?

Quantas vezes mais teremos oportunidade de mostrar nossa alegria em ser católicos se houver um espaço que, comum e de fácil acesso, nos congregue na unidade não somente física, mas, sobretudo, espiritual?

Essa é a hora em que todas as nossas comunidades – das maiores às menores – deverão se unir num ideal tão nobre que nos fará lograr um grande resultado temporal e espiritual na edificação do Reino de Deus. Cada qual ao seu modo, com grandes ou pequenas contribuições, segundo suas possibilidades, deve aderir de coração e vontade à campanha da Nova Catedral, para que nossa Arquidiocese se erga com um verdadeiro símbolo de unidade presbiteral e eclesial.

Convido a todos: Paroquianos, amigos e irmãos em Cristo a darmos as mãos para mais esse gesto de comunhão na construção da nossa Nova Catedral.

 

Em Cristo,

Pe. Fabiano de Carvalho Silva