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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

“Prova de amor maior não há que doar a vida pelo amigo”


Pensava no mistério de Deus que insiste em nos surpreender com momentos e pessoas que não imaginávamos, mas que tanto necessitávamos. Pensei na paróquia, nos paroquianos, nos amigos mais próximos, em mim e, finalmente no grande Dom de Deus que agora nos une. Que belo mistério que celebramos!

Não deve ser a paróquia um pouquinho de nossas casas? Aqui deve acontecer o mistério do amor: prático e gratuito. Cada um dos paroquianos que aqui se reúne para amar a Deus sobre todas as coisas deverá sempre buscar a reciprocidade concreta. Cada amigo que daqui se aproximar deverá antes se aproximar de Deus. E eu – este pequeno e frágil instrumento – devo buscar viver e ensinar a viver esse grande dom: a Amizade!



Mas esses elementos: Amor prático e gratuito; reciprocidade concreta; proximidade com Deus; e, por fim, pequenez são os ingredientes de uma Verdadeira Amizade em Cristo. Nisto todos se igualam e são importantes, porque todos, Absolutamente todos, podem oferecer o dom da Amizade!

É óbvio que nem sempre os amigos fazem o que queremos, mas é certo que todos os amigos sempre buscam fazer o bem. É certo que nem sempre os amigos são tão bons como pensamos ou o quanto desejamos, mas eles sempre buscam fazer o melhor que podem, e por isso são bons ao seu modo. Também os amigos nem sempre são capazes de ser tão grandes quanto imaginamos, mas, às vezes, o que precisamos é de alguém que consiga ser tão pequeno a ponto de chorar ou rir conosco em todos os momentos.

Em fim, o que a nossa paróquia – e me sinto feliz e honrado ao dizer “nossa paróquia” – precisa é do grande dom da Amizade que, diante de Deus, nos torna todos iguais.

Por isso, nossa proposta pastoral não pode e nem deve ser outra senão a de deixarmos para lá tudo aquilo que não constrói essa Amizade. Conto com vocês, cada um de vocês, para juntos construir sobre o sólido alicerce da Amizade, uma paróquia na qual possamos receber e transmitir o Grande Dom de Deus.

A Virgem Santíssima, nossa Grande Amiga, porque é mãe, nos assistirá com sua Onipotência Suplicante neste belo caminho que vai requerer nosso esforço.

Com Maria para construir na Amizade uma paróquia que cresce em Santidade!

 


quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Pio XII era mesmo culpado?



Muitas vezes a história, por pior que o pareça, é distorcida e controvertida. O caso mais nefando que se pode contar entre o número destas barbáries é, sem dúvida o caso do Papa Pio XII que foi acusado de apoiar Hitler na chamada “solução final”. Disso o acusaram os autores Rolf Hochhuth, na peça teatral “O Vigário de Cristo”[1] e Jonh Cornwell na obra “O Papa de Hitler”[2].


Não obstante a vociferação inútil em prol de denegrir a imagem do Grande Papa dos Judeus, vozes advogadas destinaram seus esforços em trazer à tona a verdade dos fatos de modo a colocar a história de novo no eixo da verdade.
O jornalista Andrea Tornielli, nascido em Chioggia (Itália) em 1964, licenciado em Letras clássicas, recolheu num volume muito denso e não menos completo, os testemunhos em favor da postura de Pio XII.
Em seu livro “Pio XII, o Papa dos Judeus” Tornielli procura não só apontar os fatos históricos relativos àquela sombria época, mas os documenta e recorre a inúmeros autores (uma lista bibliográfica de oitenta e um livros consultados) para abalizar a verdade sobre os fatos.
Tornielli, além de evidenciar os erros de pesquisa de Cornwell, mostra ainda que a aquela pseudo pesquisa que visou denegrir o Papa dos Judeus não foi tão acurada assim, uma vez que os registros de entrada da Biblioteca Vaticana só guardam de Cornwell três únicas visitas. Corrige também, várias vezes, erros de datação cometidos pelo autor de “O Papa de Hitler”.
Percorre muitíssimos documentos, não só da Santa Sé, mas também de embaixadas e governos para mostrar a voz de Pio XII contra a Shoa e o nacional socialismo. Outrossim, recorda os grandes manifestos de Judeus agradecidos pela intervenção do Papa na luta por esconder os Judeus perseguidos – desde as grandes deportações em massa, passando pela abertura dos mosteiros, conventos (inclusive a quebra das clausuras papais) e a abertura das nunciaturas até as portas abertas de Castel Gandolfo e do Vaticano que acolheram um número expressivo de Judeus fugidos da perseguição nazi.


Recolhe tanto os pedidos de intervenção antes e durante a Grande Guerra quanto os agradecimentos enviados por eminentes judeus no pós-guerra. Apresenta em números as ajudas do Papado e apresenta assim a grande influencia da Igreja por meio de Pio XI e Pio XII.
Da nunciatura em Alemanha ao Trono Pontifício no Vaticano, Eugenio Pacelli traçou o mais importantes liame entre judeus, cristãos e poder temporal por meio de uma intrincada rede de influências – quer oficiais, por meio das nunciaturas, que extra oficiais, por meio de suas ordens secretas aos núncios, bispos, padres e religiosos, em favor de salvar o maior número possível de Judeus.
O ponto máximo do livro, certamente é tornar claro o labirinto político e diplomático no qual se encontrava Pio XII e que o levou a tomar as posturas políticas que fizeram a história acontecer:

“No discurso ao Sacro Colégio por ocasião da festa de Santo Eugenio, Pio XII diz claramente e com todas as letras que há pessoas que, por causa da sua pertença a uma determinada estirpe são submetidas a ‘coações exterminadoras’. ‘Por outro lado, não vos admireis, veneráveis irmãos e dilectos filhos, se o nosso espírito responder com solicitude particularmente cuidadosa e comovida às súplicas daqueles que se dirigem a nós, ansiosamente, atormentados como estão por razão da sua nacionalidade ou da sua estirpe, por maiores desgraças e com dores mais agudas e destinados, por vezes também sem culpa sua a coacção exterminadoras. Não esqueçam os que regem os povos que aquele que (para usar a linguagem da Sagrada Escritura) ‘detém a espada’ não pode dispor da vida e da morte dos homens, a não ser  segundo a lei de Deus, de quem lhe vem todo o poder”
(TORNIELLI, A. Pio XII, O Papa dos Judeus. Livraria Civilização Editores, Porto.)



O autor coloca ainda em paralelo com as ações da Santa Sé naquele nefando episódio as parcas ações de autoridades Aliadas em favor dos judeus.
O Livro Pio XII, o Papa dos Judeus tem 399 páginas que incluem um apêndice com reproduções de autógrafos de Pacelli – incluindo as correções autógrafas de Eugenio Pacelli na Mit brennender Sorge[3] e foi editado pela editora portuguesa Livraria Civilização Editores, Porto. Um Livro que realmente traz à luz uma parte da história que se tentou manter obscurecida.


[1] Hochhth R., Der Stellvertreter, Rohwolt Verlag, Hamburgo 1963; ________. Il Vicario, Feltrinelli, Milão 1964
[2] Cornwell, J., Il Papa di Hitler, Garzanti, Milão, 2000.  
[3] “Com profunda preocupação” de 14 de Março de 1937. Carta Encíclica de Pio XI que fez a condenação expressa e formal dos erros do nacional-socialismo alemão (nazismo).

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A Conversão Da Princesa


O Senhor havia dito que é mais fácil um camelo passar no fundo de uma agulha que um rico entrar no céu (cf. Mt 19,24) e, como sempre, não estava errado! Muitas vezes, junto com a riqueza matéria, social e até cultural, vem um sentimento de auto-suficiência que leva-nos ao fechamento. Por este motivo um rico não entra no reino do céu!

O reino do céu é participação em Deus, no Cristo, por meio do Espírito Santo – o que é fruto do amor, uma vez que é a abertura para o bem, quer contemplado, quer experimentado, quer feito. O fechamento a isso (a auto-suficiência, portanto) é o que chamamos de egoísmo.
Não raro vemos também tais atitudes nas pessoas financeiramente menos abastadas e esse fato põe a claro que a “riqueza” de que Jesus fala não está relativa à quantidade de bens, mas à quantidade de apego a nós mesmos e a nossas coisas, de ordem material, emocional ou espiritual.

A Princesa Dona Alessandra Romana dei Principi Borghese, em seu livro “Com Olhos Novos, a história da minha conversão” [Publicado em português pela editora portuguesa DIEL em outubro de 2006], põe diante de nós, nas linhas que testemunham seu encontro com Cristo, o “NOVO de Deus” a que sua gradual experiência a conduziu: a compreensão de que era necessário abandonar-se nas mãos de Deus reconhecendo que “... todos nós não passamos de filhos necessitados de perdão, de compreensão, de amor, de esperança. Mas todos sob um olhar onde convivem misericórdia e justiça.” (BORGHESE, A. Com Olhos Novos, a história da minha conversão. Lisboa. DIEL, 2006 p. 16).


Uma profunda vivência que ultrapassa, com o amor, a mera teoria e, gerando uma mudança no coração fez sua vida ser vista com olhos novos. Ao concluir seu livro, a autora declara sonoramente aos homens e mulheres de hoje:

“Seja o que Deus quiser. Digo-o com firmeza, pois doravante sei que minha fé não é cega nem sentimental. É antes um acto de libérrima obediência Àquele que, como vim finalmente a descobrir, estava apaixonado por mim (Ibid. p.190).

Certamente um testemunho de conversão que também nos levará a considerar a nossa vida com olhos novos.


sábado, 23 de outubro de 2010

Vocação, Medos e Armas



Nota: Escrevi e publiquei este artigo no Jornal Rio Bonito Católico da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição - Rio Bonito/ Centro, no mês de Agosto de 2010.
CARVALHO, Fabiano. Vocação, Medos e Armas.Rio Bonito Católico, Rio Bonito, Agosto 2010.
 

Não muito cedo, em minha experiência vocacional com Deus, tive a plena certeza de que era necessário perder o medo para deixar as armas para traz e isso me deu condições de visibilidade no horizonte da vida, que nem sempre é límpido e retilíneo. Creio que, para o jovem de hoje, é necessário também deixar os medos e as armas para traz de modo a assumir maduramente a vocação.

Como seminarista, trabalhei num encontro de jovens cuja média etária era de 15 à 18, e uma pergunta foi feita numa dinâmica: “o que neste mundo lhe causa medo?”. A expectativa de resposta por parte dos organizadores era algo em torno dos assuntos mais expostos na mídia: assaltos, guerra, narcotráfico e problemas de ordem social. Qual não foi a surpresa dos organizadores ao se depararem com uma resposta de outra ordem e dimensão!

Pareceu unânime: os jovens tinham medos de ordem pessoal! Coisas como não ser bem sucedido, não saber o que fazer, não conseguir seguir uma carreira ou profissão. Tudo isso revelava um medo de ver seus projetos e planos frustrados por um mundo competitivo e desigual na área pessoal.

O resultado me fez refletir o porquê de um jovem daquela faixa etária estar tão amedrontado com as perspectivas de futuro se, teoricamente, tem todas as expectativas à sua frente, com todas as oportunidades e o vigor da própria juventude.

Mas o resultado abriu em mim outra reflexão que me fez entrar nos meus próprios medos! Por aquela época eu estava no terceiro ano de teologia e também tinha dois medos: o medo de ser padre e o medo de não ser padre. Muitas vezes os medos são tão grandes em nós que simplesmente não temos palavras para formulá-los e nem sempre conseguimos pensá-los.

O medo das responsabilidades do sacerdócio, a preocupação em ser fiel àquilo que queria assumir e de dar conta de todas as coisas relativas à vida do sacerdote já no seminário e o peso de ter que ser bom para ser sacerdote causava imenso medo. Mas essa moeda tem dois lados e o outro lado era exatamente o oposto, o medo de não ser padre, afinal eu já tinha dedicado muitos esforços, muito tempo e vários investimentos de muitas ordens. Tudo isso eram medos.

Vi que esses medos eram combatidos com armas que nem sempre eram corretas e até muitas vezes agressivas: vaidade para tentar parecer o melhor, atitudes irresponsáveis para fugir aos estereótipos, questionamentos extremamente críticos que geravam exigências exageradas comigo mesmo e com os outros. Paralisava-me pensar em ser ou não ser padre e passei umas semanas nesse beco sem saída tentando achar armas humanas para superá-lo. Cada vez que buscava armas, os medos aumentavam.

Então, diante de Jesus sacramentado encontrei uma resposta (não por mim, eu mesmo não seria capaz dela, mas uma inspiração): era necessário deixar os medos e as armas! No beco sem saída, a saída era o alto! A lógica era simples: Deus é onisciente, sabe todas as possibilidades: as de eu ser padre, as de eu não ser padre e de ser qualquer outra coisa na vida. Mas esse Deus que é conhecedor de todas as possibilidades é também o Deus que me ama, isto é, não quer meu mal, não quer minha morte. Sendo assim a saída para esse medo era não lutar mais com minhas armas, mas deixar que Deus decidisse por que o que ele fizesse seria bom para mim.

Aqui o abandono em Deus foi a atitude de segurança, porque Ele me chamou, Ele me acompanha e Ele me espera. Foi quando consegui sair do beco do medo e ver a minha história de vida e vi que minha vocação já tinha sido gravada nela e que cada etapa, cada momento costurava com muita delicadeza uma proposta de amor. Neste momento senti-me pisando num chão, seguro e forte, senti-me no chão de minha própria vida e então o meu sim era mais meu que das circunstâncias, mas meu que dos outros, mais meu que dos medos.

Só abandonando os medos e as armas pode-se olhar para o alto e descobrir Deus que sempre fez história na história particular de cada um. Com base nessas experiências pessoais com Deus é possível olhar a vida como o “lugar” onde Deus fala e, pisando com segurança e carinho nesta história de vida por Deus construída, pode-se dizer um sim de amor sincero e seguro, por que é Ele mesmo quem garante, no amor, nossas escolhas. Então a resposta à vocação é acertada e a possibilidade de felicidade é concretizada.

Pe. Fabiano de Carvalho

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Missão


Nota: Escrevi e publiquei este artigo no Jornal Rio Bonito Católico da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição - Rio Bonito/ Centro, no mês de outubro de 2010.
CARVALHO, Fabiano. Vocação, Medos e Armas. Rio Bonito Católico, Rio Bonito, Outubro 2010.





“A Igreja é chamada a repensar profundamente e a relançar com fidelidade e audácia sua missão nas novas circunstâncias latino-americanas e mundiais. Ela não pode fechar-se frente àqueles que pretendem cobrir a variedade e a complexidade das situações com uma capa de ideologias gastas ou de agressões irresponsáveis. Trata-se de confirmar, renovar e revitalizar a novidade do Evangelho arraigada em nossa história, a partir de um encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo, que desperte discípulos e missionários.”
(Documento de Aparecida, 11)





Com estas palavras o Documento de Aparecida abre uma visão esclarecedora sobre a idéia de missão na Igreja de modo atualizado, sem perder, contudo, a centralidade do mandato missionário: “Ide pelo mundo e pregai o Evangelho a toda criatura, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mc 16,15).
Colocar Jesus novamente no centro da missão é uma tarefa importante para toda a Igreja que, ao mesmo tempo em que se torna urgente, figura como um impulso natural do coração que, tendo encontrado a alegria de ser cristão, deseja comunicar a todos esse mesmo dom.
A missão, portanto, enquanto é anúncio de uma experiência pessoal com Jesus Cristo tem como base a comunidade dos crentes, a oração e a eucaristia. Esses aspectos não devem ser de modo algum negligenciados na nossa espiritualidade paroquial. Essa é a abertura necessária frente ao mundo para dialogar ao mesmo tempo em que anuncia o mistério da Salvação em Cristo.
Transformar o anúncio do Evangelho em simples expressão de uma pseudo fraternidade universal descaracterizaria o próprio mandato de Cristo de modo que ocorreria uma cisão entre Reino de Cristo e o próprio Cristo o que acarretaria num empobrecimento do mandato missionário.
Essa dinamicidade do anúncio missionário da verdade de Cristo, sugere o Documento de Aparecida, é incrementada pelo método “ver, julgar e agir”: “Este método implica em contemplar a Deus com os olhos da fé através de sua Palavra revelada e o contato vivificador dos Sacramentos, a fim de que, na vida cotidiana, vejamos a realidade que nos circunda à luz  de sua providência e a julguemos segundo Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, e atuemos, a partir da Igreja, Corpo Místico de Cristo e Sacramento universal de salvação, na propagação do Reino de Deus, que semeia nesta terra e frutifica plenamente no Céu.” (Documento de Aparecida, 19)
Sem dúvida alguma, nossa história, mesmo que alguns tentem apagar, está marcada pela influência da Igreja. Neste aspecto, a sociedade em geral é devedora da ação missionária da Igreja. Contudo, esse âmbito histórico não deve nos deixar entorpecido, mas deve nos impulsionar a irmos além e continuar influenciando, contribuindo e corrigindo na sociedade as atitudes humanas.
Nossa missão, deste ponto de vista, se estende para outros âmbitos cuja contribuição moral podemos e devemos oferecer, uma vez que, sendo perita em humanidade, a Igreja deseja defender, como de fato defende, o ser humano em sua integridade, do nascimento à sua morte natural.
Pode-se facilmente perceber que nossa missão não alcança só uma “propaganda” sobre um personagem, mas uma mudança de atitude e uma conversão moral de toda a sociedade, começando pelo individuo.
Diante de todos esses elementos é necessário empreender uma nova reflexão para uma nova atitude missionária de modo a tornar tão efetivo quanto afetivo nosso empenho missionário que leve a bom termo nossos esforços pelo homem e, através dele, pela sociedade. 

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Com Maria no Cenáculo Manifestar a Glória de Deus no mundo


Nota: Escrevi e publiquei este artigo no Boletim Informativo da Paróquia de São João Batista em Praça Cruzeiro, no mês de Maio de 2010.
CARVALHO, Fabiano. Com Maria no Cenáculo Manifestar a Glória de Deus no mundo.Católicos em Ação, Rio Bonito, Maio 2010.



Da Anunciação à Pentecostes desenrola-se um mistério poucas vezes percebido, mas muito concreto que é atualizado em nossa vida eclesial e pessoal. Esse é o caminho que liga a Virgem Mãe de Deus e Pentecostes à Igreja e, nela, cada um de nós: entrar neste mistério de amor e celebrar com a Igreja o mês Mariano na perspectiva de Pentecostes em vista da santidade.

Esse mistério que une em um só instante o tempo e a eternidade nos faz contemplar a Glória de Deus que: (1) No Antigo Testamento, quando Deus fez descer sobre a Tenda da Reunião sua sombra, encheu o templo (cf. Ex. 40,34); (2) No Novo Testamento, quando a mesma sombra envolveu a Virgem Maria na Anunciação, a encheu com sua graça (cf. Lc 1, 35b) e em (3) Pentecostes, quando o Espírito fecundou a Igreja, sua esposa reunida no cenáculo, a fez testemunhá-lo ao mundo (Cf. At 2).

Naqueles eventos – aparentemente estanques – o Espírito Santo é o amalgama da vida interior que os une intimamente ao Cristo. Maria, como espelho da Igreja é quem nos traz o exemplo de cristãos e nos ensina a viver no Espírito como Igreja. A mulher que é portadora da promessa para todo novo povo de Deus se deixou fecundar pelo Espírito, do mesmo modo que o antigo povo recebeu o Espírito de Deus. Estende-se uma ligação ininterrupta entre aquele povo que viu a Glória de Deus e a Mulher que dá espaço em sua vida para que a Glória de Deus se encarne e habite em nosso meio.

A Igreja experimenta no Cenáculo aquilo que fora prefigurado na Tenda da Reunião e realizado na Anunciação, deixando-se fecundar pelo Espírito Santo e manifestando ao mundo de maneira inequívoca que nesta Nova Tenda da Reunião, com Maria, está o Cristo vivo: a Glória de Deus no mundo.
O sentido de Pentecostes é perene e atualizado por meio da mediação de Maria que abre espaço em si para que se realize a prefiguração do Êxodo ao mesmo tempo em que convida a Igreja a abrir-se à fecundidade do amor por meio do Espírito Santo gerando Cristo em nós.

Nosso itinerário como cristãos, segue os passos da Igreja: Como Maria, receber o Espírito Santo no Cenáculo e adorar em nós o Deus escondido. Adorá-lo em cada momento de nossa vida (no lar, nas escolas, nas oficinas e escritórios, nas ruas e hospitais)!

Nestas atitudes a Igreja, Nova Tenda da Reunião, se une à Virgem Maria, Serva do Senhor e expressa a Glória de Deus que alcança todos os homens em todos os tempos e lugares.



 

domingo, 21 de março de 2010

São José




São José
Sobre São José o evangelho não guardou muitas palavras. Seu nome aparece somente 17 vezes ao longo do novo testamento (Mt = 9, Mc = 0, Lc = 6 e Jo = 2). Para comparar, o nome "Maria" aparece, no Novo Testamento, 61 vezes aproximadamente e o nome Jesus 1154 vezes.

Não se registram quaisquer palavras suas e tampouco sua historiografia. Contudo, seu exemplo silencioso é muito eloqüente. Desde o princípio da Igreja, os Padres da Igreja puseram em relevo a figura de São José como guarda da Sagrada Família. Assim se expressa Leão XIII na Encíclica Quamquam Pluries "As razões pelas quais o beato José deve ser padroeiro especial da Igreja, e a Igreja se empenha muito à tutela e ao seu patrocínio, nascem principalmente do fato que ele foi esposo de Maria e pai putativo de Jesus Cristo. Daqui vieram todas as suas grandezas, a graça, a santidade e a glória." (Leão XIII, Pp. Quamquam Pluries 10).

Exemplo de vida doméstica, São José foi esposo casto de Maria e Pai putativo de Jesus e, por isso, é chamado Patrono da Igreja, conforme lembra João Paulo II já na introdução da encíclica Redemptoris Custos: "assim também guarda e protege o seu [de Cristo] Corpo místico, a Igreja, da qual a Virgem Santíssima é figura e modelo" (n. 1).

Humilde e sempre pronto, obedeceu aos desígnios de Deus, mesmo quando não os compreendia. Exemplo de amor fiel a Cristo e à Virgem nos convida a imitação das virtudes dos grandes Patriarcas do Antigo Testamento: Amor incondicional a Deus, Empenho voluntário e amoroso com o plano de Deus, Fortaleza diante dos homens para escolher sempre o bem, pureza para saber ouvir e guardar em seu coração a voz de Cristo, humildade no serviço.

Ao educar aquele por quem se fez o céu e a terra, sabendo que Jesus era-lhe submisso e ao custodiar castamente à Virgem Maria, demonstra na sua humildade e zelo puríssimo o modelo de pai de família, ao mesmo tempo em que é modelo de vida consagrada.

São José é de fato nosso pai, uma vez que estamos unidos a Cristo, e é nosso exemplo uma vez que ele mesmo associa-se à fé aceitando unir-se à Virgem Maria no amor pelo "sim" que ela mesma dera ao anjo na anunciação: "Pode dizer-se que aquilo que José fez [a puríssima 'obediência da fé'] o uniu, de uma maneira absolutamente especial, à fé de Maria: ele aceitou como verdade proveniente de Deus o que ela já tinha aceitado na Anunciação" (João Paulo II, Pp. Redemptoris Custos, 4).

O Papa Bento XVI, em 25/07/2009, por ocasião do qüinquagésimo aniversário da proclamação do Patriarca São José como Padroeiro da Igreja Universal, por Pio IX, nos aconselhou à devoção a São José dizendo: "Se considerarmos as hodiernas calamidades que afligem o gênero humano, torna-se mais evidente ainda a oportunidade de intensificar o tal culto [ a São José] e difundí-lo ainda mais entre o povo cristão".

Hoje nós somos convidados a, imitando São José em suas virtudes, chegar ao Cristo que nos chama ao Pai. Assim, seguindo a trajetória de fé que o Patrono traçou com sua vontade forte de amar, devemos nós caminhar com fortaleza, obediência, perseverança e amor puríssimo para chegar às mesmas glórias com que o Pai Adotivo de Jesus foi coroado: O CÉU!