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sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Opinião: Eleição 2014


Já tenho a intenção de escrever umas opiniões sobre os últimos fatos da política de nosso país há um tempo, entretanto este mesmo tempo não me sobra nas tarefas do dia. Encontro agora ocasião para expor brevemente algumas reflexões. Antes que alguns se arvorem a dizer que não deve um sacerdote tocar no ponto de política, quero que se perguntem sobre os motivos desta descabida opinião (creio que se eu defendesse a tua posição, você certamente me apoiaria, deste modo esse argumento tenta inutilmente me constranger a não expressar minha opinião diferente da tua).
Vou tentar ser o mais claro e sistemático o possível, mas convenhamos que a situação é complexa neste pleito 2014 e mereceria uma análise muito mais pormenorizada e completa.

1). As circunstâncias das Eleições 2014

Já tenho dito e continuo repetindo que o Brasil é um país que não tem tradição republicana. Passamos por três repúblicas e não conseguimos atingir a maturidade exatamente por que nosso povo não é tecido com estes fios que são tão presentes nos norte americanos e em alguns europeus, por exemplo. Nossas fibras interiores são de força e raça: nós nos uniríamos facilmente entorno de um ideal nobre que nos tocasse a emoção. São exemplares as grandes mobilizações por ocasiões das grandes catástrofes naturais ocorridas no país por revelarem os atos heroicos dos brasileiros que são capazes de se unirem em auxílio aos seus compatriotas em quaisquer estados da União.
A tragédia nas serras do Rio de Janeiro, as catástrofes no sul do país, o incidente na discoteca e tantos outros exemplos poderiam ser trazidos para exemplificar esse traço tão forte e marcante no tecido interior dos brasileiros.
Entretanto, não é nosso ponto forte uma reflexão criteriosa e sistemática sobre governo e estado em nível popular. É uma deficiência que é robustecida pelas lacunas em nossos currículos escolares, mas que não advém somente dos bancos acadêmicos. Nós não temos essa tradição! A maior parte da população é sublevada por “taumaturgos sociais” que, no mais das vezes, são mal intencionados, movidos pela vontade de domínio e por lucro pessoal – sem levar em conta o fato da maldade quase subliminar presentes nas intenções dos signatários do foro de São Paulo.
À bem da verdade, os comunistas perceberam isso primeiro que os republicanos e os monarquistas e se utilizaram disso de modo velado nas manifestações populares ocorridas no nosso passado próximo. E não adianta dizer que foram manifestações populares espontâneas já que ficaram patentes as mãos por trás das bandeiras empunhadas na ocasião. Uma vez aceso o estopim emocional do brasileiro médio (vinte centavos da passagem ou o preço do pão são motivos emocionais suficientes para levar a uma pretensa “revolução”) facilmente se leva a instabilidade o tecido social do país, cuja memória histórica é acometida pela doença de Alzheimer.
O emaranhado é, portanto, de um lado a mensagem quase subliminar do foro, o elemento emocional do povo e a necessidade de orientação pela ausência de suficiente reflexão política, ética e social do brasileiro médio.
Alguém poderia perguntar pela polarização PT/PSDB que sempre nos remete ao que se chama de esquerda e direita. Bom, um tiro só pra resolver a questão: Não existe direita no Brasil! No máximo um vento de direita (expresso por uns Bolsonaros da vida) contra um tufão de esquerda representado pela ninhada de partidos advindos de remanescentes da ditadura. De direita mesmo, ninguém!
Este panorama, no que pese minha opinião, é o resumo destes últimos anos de história no Brasil de (quase) todos.

2). Os candidatos

De novo fomos reféns da escolha entre o menos pior: Dilma veio com um discurso de mudanças mostrando a esquizofrenia de seu governo. É muito difícil convencer de que o governo vai mudar a situação do país se o governo é a situação. Desculpe, presidente, não cola! Se era pra mudar, mudasse antes. Aécio Neves veio com o discurso de que a competência é apanágio de sua equipe. Desculpe, senhor candidato, me pareceu um bocado arrogante já que na propaganda tudo é possível. Os nanicos eram risíveis. Só pra destacar: Luciana Genro se mostrou uma revolucionária de butique que redige seus discursos no seu note Apple, no melhor estilo Lacoste/Fidel e esconde as doações atrás do seu cursinho que tem mais de político do que de social; Levi Fidélix – mesmo sendo católico – mostrou-se um desvairado... Bom não quero perder mais tempo com isso. Façam suas próprias avaliações sobre a comédia dos candidatos.
No meio do caminho tinha um avião (estranhamente) caindo e vitimando Eduardo Campos e colocando em destaque Marina. As pesquisas recolheram sua presença com altos picos de porcentagens. Marina era presidente do Brasil, mas calada era uma ótima presidente! Quando abriu a boca, percebeu-se que a fragilidade era seu ponto forte e que seu plano de governo era tão incompreensível quanto seus discursos.

3). As pesquisas

Nunca acreditei em pesquisas. Em minha opinião é volante para manobrar a vontade geral de um povo que não tem hábito de críticas (já que condições nós temos, mas de que adiante ter condições não exercidas?). Dilma Vs. Marina dominou o cenário das pesquisas, mas não o do resultado.

4). O resultado

Um ponto interessante foi como fica provado que nosso povo não utiliza aquela tão necessária capacidade de crítica social para exercer o direito de voto. No Rio de Janeiro, por exemplo, a mesma população consegue eleger para a Câmara Federal o Bolsonaro e para a Estadual o Freixo. Transtorno bipolar político? Vai saber... Nós não nascemos para ser republicanos, definitivamente.
Surpreendeu a alguém a “virada” de Aécio Neves? Só aos que não ouviram as pesquisas espontâneas ocorridas em vários setores da sociedade. Nas redes, nas esquinas em outros ambientes a porcentagem de Dilma e Aécio eram diametralmente opostas às opiniões colhidas (SIC) pelos institutos de pesquisa que apontavam um possível Dilma e Marina. Não surpreendeu.
No Rio de Janeiro tivemos um resultado curioso, nem Garotinho nem Tarcísio, mas Pezão e Crivella. Aqui sim tivemos surpresa, já que o clima de “já ganhou” tomou conta dos garotinhos do Garotinho. Até o seu site na web acreditou que estava no segundo turno. Excesso de confiança nunca fez bem a ninguém. No Rio de Janeiro estamos entre o que temos e o Edir Macedo, a mão que segura as cordas do fantoche Crivella.

5). (Mais) Escândalos Petistas

Um país sério teria apurado rapidamente a denúncia do uso indevido dos correios na campanha da presidente Dilma. Mas isso não aconteceu apesar dos indícios. Ponto negativo para o balcão de negócios brasileiro chamado república. Quando isso será apurado? Sabe-se lá se será apurado. As urnas problemáticas também voltaram a ser tema nos plantões jornalístico. Mas é de se desconfiar quando alguma coisa no Brasil é apresentada como confiável, não é? Quando a esmola é grande, o santo desconfia.
Biometrias e filas longas à parte, a sensação do brasileiro quanto às urnas eletrônicas é de desconfiança.

6). Segundo turno

E de novo roda a roda da vida nos trazendo para o igual: estamos outra vez escolhendo entre os menos piores (meu computador, neste exato momento grifou de verde a expressão “menos pior” e me sugeriu que escrevesse “melhor”, mas, em consciência, não consigo!).
Brincadeira de porcos: neste segundo turno vemos ambos os lados jogando lama um no outro – e lama é o que mais se tem para jogar neste jogo histórico entre PT e PSDB. REPITO: Dos dois lados. Não será esse meu critério de escolha por termos um empate técnico.
O brasileiro, via de regra, reflete economicamente na hora de votar, mas se esquece de que nem só de pão vive o homem. A economia é um fator da reflexão, mas não toda a reflexão. O PT quer vender o país das maravilhas econômicas tentando esconder o legado de FHC e esquece-se que todo fato histórico vem imbricado em outro. Ouso dizer que FHC foi o precursor da era lulista enquanto lançava as bases para essa política assistencialista que transforma pobreza em voto: farinha do mesmo saco.
As manchetes de inflação, dívida e outros escândalos são trazidos para as redes numa espécie de terrorismo político do lado do PT enquanto Aécio Neves tenta vender a imagem de bom moço, pero no mucho. Parece óbvio, mas o óbvio é facilmente esquecido: Não podemos negar que o presente é feito de passados: PSDB e PT fizeram o passado recente de nosso país. Depois dos ovos fritos, a gordura saturada de um sistema que falhou em suas tentativas de fazer um país melhor. (Arriscar-me-ia a dizer que até a ditadura, com mais dificuldades e menos recursos, trouxe mais benefícios para o Brasil em termos de infraestrutura que os anos desta nossa república; que o porto construído pelo governo do PT seria ótimo se ele não tivesse sido construído no país errado e que, neste ponto, pelo menos o Aécio construiu (seu) aeroporto mineiro em solo brasileiro).
Os partidos parecem querer nos fazer crer que, no fundo, a disputa está entre 34º e 35º presidente, mas é fácil perceber que o acento recai, não entre eles e nem tampouco entre Dilma e Aécio, mas na escolha da manutenção de um país que primou pelo capital em detrimento dos valores (sim, os comunistas muitas vezes são mais capitalistas que os próprios capitalistas, dado o materialismo invejoso que apregoam) enquanto passava por baixo da roleta os mais atrozes planos de infiltração comunista.
Enfim, declaro meu voto: Votarei em Aécio Neves, não pela sua pretensa competência ou por sua honestidade (?), mas por que não quero ver meu país comunista levado ao patamar da Venezuela, já que o governo atual nos sugeriu comer ovos no almoço. A política petista se mostrou assistencialista e imoral e, por isso, inaceitável. O processo comunista precisa ser parado e defenestrado este partido que ajudou a criar no país uma massa ociosa de fácil manobra.
Definitivamente quero ver meu país livre da ameaça comunista e rebuscando um caminho sob a égide dos valores humanos sobrepondo (e não renegando) os valores sociais e econômicos, já que o Estado existe em função do cidadão e não ao contrário.

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