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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Aos Católicos

Estimados filhos,

Como Pai espiritual, desejo dirigir-me a cada um de vocês e ombrear-me aos anseios mais profundos da população de Rio Bonito. Sabemos que desejamos muitas melhorias para nossa cidade. Igualmente, é licito ao povo a manifestação legítima de seus anseios em todos os meios de direito: manifestações, passeatas, redes sociais, meios de comunicação devem servir ao bem da pessoa, de cada pessoa e de todas as pessoas.

Entretanto, gostaria também de ponderar, como tenho ponderado nas redes sociais, o caráter deste movimento em específico. Vemos por toda a união serem deflagradas manifestações publicas que alçam ao vandalismo e à desordem, se bem que não seja a postura da grande maioria. Não obstante às melhores intenções, não é lícito ao cristão tomar parte de movimentos que visem à anarquia e a violação de direitos de quaisquer dos lados.

O Movimento Passe Livre (MPL), que deflagrou as manifestações não tem raízes legítimas. Na ultima revista Época (n. 786) de junho de 2013 o movimento declarou que “A única maneira é parar o trânsito”, diz a estudante de letras da Universidade de São Paulo (USP) Raquel Alves, de 20 anos, militante do MPL. ‘Infelizmente, o vandalismo e a violência são necessários, para que apareça na mídia. Se saíssemos em avenidas gritando musiquinha, ninguém prestaria atenção’” o que invalida todas as suas atividades e as que decorrem dela.

Sabe-se que o MPL inspira-se no “antropólogo anarquista David Graeber, um ex-professor da Universidade Yale que se transformou em guru dessa juventude, afirma que o Occupy Wall Street se caracterizava pela recusa de lideranças tradicionais. Por oposição a partidos políticos ou organizações hierarquizadas – chamadas, no jargão dos ativistas, de “verticais” –, ele postulava um movimento sem hierarquia – “horizontal”.” Por isso, convém explicitar que a Anarquia não é legítima.

O Beato Joao Paulo II, na sua Mensagem para a Celebração do XXXVIII Dia Mundial da Paz, em 1° De Janeiro De 2005 declara: “Contemplando a situação atual do mundo, não se pode deixar de constatar uma impressionante difusão de numerosas manifestações sociais e políticas do mal: desde a desordem social à anarquia e à guerra, da injustiça à violência contra o outro e à sua supressão. Para orientar o seu próprio caminho entre as solicitações opostas do bem e do mal, a família humana tem urgente necessidade de valer-se do património comum de valores morais que o mesmo Deus lhe deu. Por isso, a quantos estão decididos a vencer o mal com o bem, São Paulo convida a cultivar atitudes nobres e desinteressadas de generosidade e de paz (cf. Rm 12,17-21).” (Grifo nosso).

Por isso temos dado eco à voz do Beato João Paulo II que nos convida a Não nos deixarmos vencer pelo mal, mas antes a vencer o mal com o Bem e reiteramos que o caminho não é o da ilegitimidade.
Como minha bênção à todas as pessoas de bem que desejam uma cidade melhor, os meus mais sinceros protestos de estima.

Pe. Fabiano de Carvalho Silva

Pároco de Nossa Senhora da Conceição de Boa Esperança